"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona

21 de outubro de 2009

Lembranças "pentecostais"


Esse mês completei 30 anos. A Igreja sempre fez parte da minha vida. Muitas lembranças. Boas e ruins. Quero compartilhar com vocês algumas delas, que tentarei colocar em ordem cronológica. Fiquem à vontade para comentar e também contar as suas histórias...

Nos meus dois anos de idade, por causa de uma irritação profunda na minha pele (manchas e assaduras em todo corpo) meus pais, depois de passarem até por benzedeiros, permitiram que um obreiro da Assembléia de Deus de Joinville, irmão Adelino, orasse por mim e fui sarado da tal enfermidade. Esse foi um dos motivos de aproximação dos meus pais com o Evangelho meses depois desse acontecimento.

Rebuscando as mais longínquas lembranças eclesiais, consigo me lembrar até do objeto onde se coletava ofertas voluntárias durante um dos hinos da Harpa Cristã, um prato metálico com alguns desenhos geométricos, com as suas cores já desbotadas. Na falta desse receptáculo, geralmente o porteiro[1] usava a Bíblia aberta para receber as doações dos irmãos:

- Com esse hino da harpa, vamos aproveitar e fazer a coleta. Os porteiros podem se aproximar para orar! – dizia o dirigente da reunião, numa sala improvisada da casa de alguma família.

Tempos onde fervor e sinceridade se misturavam com intolerância e ignorância, produzindo por um lado frutos preciosos para o Reino de Deus e por outro, feridas e frustrações pessoais[2]. Não obstante, percebia-se claramente o mover do Espírito Santo na vida dos simples irmãos em cada passo que davam como comunidade envolvida na proclamação do Evangelho.

Uma das irmãs viu, em uma visão numa das reuniões de oração, cada um dos irmãos com um banco nas costas. Dali poucas semanas, a Igreja estava indo para outro endereço exatamente como a irmã vira anteriormente em oração. Tudo isso sem exagero e sem idolatrar ou ritualizar as manifestações do Espírito Santo, bem como os canais para essas manifestações.

Tudo era Graça e bondade de Deus. Afinal, o Espírito Santo era Deus e por isso mesmo, soberano e livre para agir apesar das nossas pressuposições.

“O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

(continua)

[1] Porteiro ou acomodador, que naquela época, a principal função era “vigiar” as crianças e manter a ordem nos corredores e demais dependências da Igreja. Com o mesmo rosto sério e feroz, para se fazer respeitar pelas crianças, era o mesmo que recebia um visitante.

[2] Uma postagem futura falará só sobre esse assunto.

Um comentário:

Mario Sérgio disse...

Querido amigo. Essas lembranças e observações são muito oportunas para valorização das histórias pessoais, que cada um de nós experimenta nos anos de fé. Seria interessante que todos tivessem essa preocupação de registrar suas memórias, assim nossa história ficaria mais valorizada e rica em todos os sentidos.