"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona

3 de março de 2009

Igreja: lugar de conforto ou ambiente gerador de culpa?


Estava na aula ontem à noite e meu amigo Vitor Hugo me emprestou por alguns instantes um livro que ele recém adquiriu: "Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas".


Dei uma olhada rápida no livro do rabino Harold Kushner e uma das muitas coisas que me chamou a atenção foi a reação das pessoas diante da dor e do sofrimento. Geralmente associamos alguma tragédia, doença ou morte com algo que fizemos ou deixamos de fazer.


Ele dá alguns exemplos: um casal perdeu a filha de dezenove anos e a primeira coisa que vem à mente foi a não observância do jejum no dia do Yom Kippur (eles são judeus). Deus estava castigando-os pela sua desobediência. Como eles não foram fiéis, Deus estava lhes retribuindo aquilo que mereciam.


Isso nos faz pensar o quanto o ambiente eclesial vai de encontro a nossa dor. Não como um bálsamo para as feridas, mas para reforçá-las e deixar-nos pior. Com medo de retaliações da parte de Deus.

Com certeza, esse pensamento que nos foi imposto ao longo do tempo, nos faz crentes "fiéis" nos dízimos, nas ofertas, no dinheiro para o departamento de Missões, na construção da Igreja, etc e nos leva a pensar que fizemos a nossa parte, aplacamos a ira de Deus e estamos a salvo. Ufa!!! Agora tenho moral diante Dele para talvez até exigir alguma coisa, afinal sou filho do Rei!


Outro "conforto teológico" é quando perdemos um de nossos queridos, principalmente jovem e dizemos: Deus sabia que ele iria se desviar, por isso Ele levou-o antes.


O salmista, em plena dispensação da Lei (dispensações: outro assunto para conversarmos) nos diz no salmo 103:


"...Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos recompensou segundo as nossas iniqüidades...pois ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos humanos (pó)..."


Nossas Igrejas são ambientes de cura para a alma?

Qual o teor e o conteúdo das nossas pregações?

Como nossos filhos conceberão Deus?


Que tipo de relacionamento temos com o Senhor Jesus?

7 comentários:

Vitor Hugo da Silva - Joinville, SC disse...

Mário!

Perguntaram à Lutero (Em uma entrevista fictícia), o porque da igreja necessitar sempre de uma reforma, o qual ele respondeu: "Pelo simples fato de existirem homens no meio de todas elas". Na maioria das vezes o homem cria palavras e doutrinas que Deus não nos ensinou, como o fato da teologia da retirbuição. Se alguma coisa deu errado, é porque estou em pecado, e não agi corretamente com Deus em determinada situação. Enfim, ao invés de bálsamo, aigreja tem dado fel ao feridos pelas circunstãncias da vida. Obviamente, que existem excessões nos dois casos. Ou seja, Existem pastores que tratam do problema com mais profundidade e seriedade, relevando aquela vida. E também existem casos, de pessoas desobedientes que estão colhendo o que plantam. Pelo menos eu penso assim..

Abraços!

Vitor Hugo

Anderson Muller disse...

OLa!

Li seu post e comecei a me questionar a cerca destas questões propostas...
Hoje estamos nos mesmos usufruindo do lugar de cabeça da igreja, deixando em muitas veses Cristo em segundo plano, por isso que vemos o que vemos por ai!!!

Muito legal seu blog!!
Se quiser de uma olhadinha no meu tbm!!

http://palavranova.blogspot.com

Paz

Mario disse...

Vitor,

Sua observação final é pertinente!

Existe sim obreiros compromissados com a Palavra e com a Igreja do Senhor e também existem pessoas desobedientes e rebeldes na casa de Deus.

Eu percebo pelo que presenciei (nasci num lar cristão) que assim como o joio pode se transformar em trigo, o trigo tbem pode virar joio e o tempo se encarrega de nos dizer o quanto erramos em nosso julgamento!

Abraços

Mario disse...

Caro Anderson,

Obrigado pela visita! Postei no seu blog tbem.

Creio que algumas discussões vale a pena serem fomentadas. Precisamos agora de sabedoria para colocarmos em prática na nossa comunidade algumas questões sérias!

Mario disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
josias gonçalves disse...

olá meu irmão paz do Senhor
Sempre que adversidades vinham sobre minha vida me quastionava se estava deixando a desejar algo para com Deus ou dízimo enfim algo de ordem espiritual então sempre orava à Deus para ele me ajudar entender o Seu plano na minha vida onde encontrava respostas a que você citou no seu texto como "Deus sabia que ele iria se desviar ..."
Hoje o meu modo de orar é pra Deus me ajudar a aceitar o Seu trabalhar em minha vida e não entender e tenho descoberto um Deus que cuida dos pequenos detalhes na vida da minha família.
Hoje tenho plena convicção que Deus trabalha em favor de nossas vidas basta nós aprendermos a esperarmos Nele.
Amplexos

Mario disse...

Obrigado pela visita Josias,

Terminei de ler o livro. Logo posto um comentário sobre o mesmo.

Abraços