"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona

4 de maio de 2009

Nao tenho Teologia mas tenho joelho...


Depois de muito tempo, infelizmente ouvi essa frase desgastada de novo numa de nossas Igrejas Assembléia de Deus em Joinville. O obreiro que citou a tal frase transmitiu à Igreja uma palavra muito edificante, mas o que deixou transparecer com essa frase foi o seguinte: “Aquilo que eu falo vem direto de Deus e não de segunda mão.” Ou ainda, que teólogos oram muito pouco. O que pode ser verdade.

Muitos pregadores usam o versículo isolado de 2Co 3.6 “...a letra mata mas o espírito vivifica...” para condenar pessoas que investem em estudos teológicos e no aprofundamento das Escrituras, ignorando o próprio sentido do termo Teologia.
O termo, simplificando, significa discursos e falas acerca de Deus e/ou das suas obras. Isso quer dizer que tudo o que eu faço como cristão é Teologia. Quando evangelizo, oro, administro o culto, converso com outros irmãos sobre e Bíblia, estou fazendo teologia.

Uma análise simples do contexto de 2Co. 3.6 fica evidente que “a letra” referida pelo Apóstolo Paulo é a Lei, dada por Deus a Moisés e não conhecimento humano. Concordo que, se nos estribarmos somente em estudos e especulações teológicas não chegaremos a lugar algum e isso pode realmente nos matar espiritualmente, mas usar esse versículo para apoiar tal pensamento é um erro hermenêutico e exegético.

No final das contas, a palavra do meu digníssimo irmão era muito parecida com uma mensagem antiga do Pr. Geziel Gomes, onde ele compara as cinco pedrinhas de Davi com as palavras do profeta Isaías “... e o seu nome será Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz”.

Sem saber, ele usou bastante Teologia apesar que, de forma inadequada. Fez mais uma eisegese do que exegese.[1] Pode ser até que tenha decorado o DVD.

Como estudante de Teologia e apaixonado pela Palavra de Deus, tomo como minha responsabilidade, aproximar a espontaneidade das expressões do pentecostalismo (que é a marca desse avivamento histórico) com a ortodoxia das doutrinas bíblicas, para quê, numa construção eclesial séria e responsável, possamos edificar de maneira sábia o rebanho do Senhor.

Que venham os conflitos! São necessários na verdade!

[1] Exegese: tentativa de extrair de um texto seu significado original.
Eisegese: injetar de forma proposital ou não algo no texto, muitas vezes forçando seu sentido original.

2 comentários:

Gutierres Siqueira disse...

Mário, a paz!

Já ouvi coisas parecidas. Nada mas passa da manifestação de uma pseudo-espiritualidade. Infelizmente desprezam a teologia e preticam toda sorte de "eisegese"... Lamentável.

Abraços!

Mario disse...

Obrigado pela visita meu irmão,

Parabéns pelo conteúdo edificante e diversificado do seu blog!

Vou colocá-lo no meu blogroll.