"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona

21 de março de 2011

Teologia Tupiniquim (diálogo entre um indígena tupinambá e um navegador europeu)


Leiam o depoimento abaixo tendo em mente Mateus cap. 6 do verso 24 ao 34.

E os ignorantes eram os indígenas...recomendo o livro O povo brasileiro de Darcy Ribeiro.


"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar os seus arabutan. Uma vez um velho perguntou-me: Por que vindes vós outros, maírs e pêros, [franceses e portugueses] buscar lenha de tão longe para vos aquecer? Não tendes madeira em vossa terra? Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele o supunha, mas dela extraímos tinta para tingir [...]
Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito? - Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do podeis imaginar e um só
deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados. - Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre? - Sim, disse eu, morre como os outros.

[...] e quando morrem para quem fica o que deixam? - Para seus filhos se os têm, respondi; na falta destes para os irmãos ou parentes mais próximos. - Na verdade, continuou o velho, que, como vereis, não era nenhum tolo, agora vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos
ou para aqueles que vos sobrevivem! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois da nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados (Léry 1960: 151-61)."

Ribeiro, Darcy, 1922-1997. O povo brasileiro a formação e o sentido do Brasil. - São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 41-42 e 43.

2 comentários:

Mario Sérgio disse...

O livro do antropólogo Darcy Ribeiro é um clássico. Parabéns pela leitura e pelo texto selecionado. Leituras como essas, são essenciais para se compreender nossa cultura e formação.

Um grande abraço!

Mario Gonçalves disse...

Obrigado pela visita mano, seus posts lá seu blog são um mais rico que o outro!

Deus lhe abençoe!