"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face."

Agostinho de Hipona

1 de março de 2010

Jesus veio para os pobres!


Lc. 12:15 “A vida de um homem não consiste na abundância de bens que ele possui”

Jesus nasceu e cresceu numa Palestina perturbada por conflitos e rebeliões violentas, tensões essas resolvidas sempre de forma brutal pelo Império Romano. A figura do publicano, judeu que trabalhava para o governo opressor, era odiada pela população, pois a forma que era feita a cobrança era injusta e cruel. A expectativa de vida era baixíssima, a falta de higiene e condições de moradia ajudava na proliferação de doenças. A lepra era comum na época, o que tornava a pessoa portadora de tal doença impura perante o povo e perante Deus, visto que a Lei de Moisés a declarava assim, o que era rapidamente lembrado pelos fariseus e doutores da Lei.

O pobre era figura comum na época, pois facilmente se perdia a terra por causa de dívidas, deixando a pessoa sem nada, ou ela mesma se vendia como escravo para pagar dívidas, algumas dessas cobradas de forma exacerbada e imprópria. Outros eram doentes a tal ponto de não terem condições físicas para se sustentarem. Mendigos, coxos, surdos, mudos era o que não faltava. Para outros a pobreza vinha em forma de uma calamidade da natureza, que do dia pra a noite o tornava o mais miserável dos homens.

O povo ansiava por um libertador, pelo filho de Davi para restaurar o trono em Israel, desbaratar o inimigo, devolver a honra e a dignidade ao povo. Liberdade total de culto no templo. Livrá-los do pesado jugo romano.

Jesus convivia com a tensão de corresponder a essas expectativas do povo ou ir à Cruz, sua verdadeira Missão. Em alguns momentos Jesus foi desafiado a não ir a Cruz e a duvidar da voz de Deus: no deserto por Satanás, pelos seus discípulos, pela multidão que queria fazê-lo rei (Jo 6), no Getsêmani oprimido pelo peso dos nossos pecados e pelo ladrão da Cruz: “Desce daí... se és o Filho de Deus”.

Em meio a esse cenário turbulento, era tentador para um judeu que sofria e chorava com o povo, que era movido por compaixão, se desviar da sua missão. Mas Jesus conseguia ver um tipo de pobreza que não era perceptível aos olhos humanos. Ele via a pobreza espiritual latente nas vidas de muitas pessoas, independentes da sua condição e nível social.

Ele viu a pobreza do jovem rico que queria “herdar” a salvação por mérito e obras. Pobre moço rico, buscava um elogio mas, no encontro com Jesus, seu miserável coração é desnudado: “Vende tudo que tens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus”. Deu meia volta e foi embora.

Zaqueu, um rico publicano, que tinha tudo que um homem da época poderia desejar, em certa altura da sua vida, sua pobreza gritou tão alto que ele correu para ver Jesus. Embaixo da figueira, Jesus pára, Zaqueu com o coração descompassado é surpreendido pelas palavras de Jesus: “Desce Zaqueu, eu vi a pobreza do teu coração e hoje chega a salvação na tua casa!”

Ele enxergou a pobre vida de Nicodemos: “Necessário te é nascer de novo!”

Num famoso jantar, Ele exaltou a pecadora do vaso de alabastro, rica da graça e do perdão de Deus e deixou à mostra a mesquinharia do coração de Simão.

No versículo citado no início desse texto, Jesus responde com uma parábola a ansiedade de um homem: “Peça que meu irmão divida a herança comigo!” No final da parábola, a reação dos ouvintes e do próprio interlocutor era pelo menos as seguintes: “Existe uma herança maior e mais preciosa a ganhar do que essa que estou ansiosamente buscando” ou ainda “Existe algo de maior valor que eu posso perder enquanto me preocupo com essas coisas”.

Escondemos a nossa pobreza nos bens que adquirimos, carro, casa, tecnologia, status social. Coisas estas que mascaram a nossa verdadeira identidade, a nossa verdadeira condição: pobres, miseráveis, carentes de Deus.

Foi pra esse tipo de pessoa que Ele veio. Para os pobres, aqueles que reconhecem a sua miséria e correm para se enriquecer Nele. Aquele que era rico se fez pobre por nós. Esvaziou-se de si mesmo para nos encher! Seu olhar continua a nos sondar, para nos curar. Ele nos enxerga totalmente, além daquilo que os olhos humanos veem.

Jesus veio para os pobres!

Um comentário:

Jorge Luiz disse...

Bela mensagem irmão, gostei, as vezes ficamos presos ao negócio desta vida e esquecemos para onde estamos indo.

Fique na paz.

Jorge Luiz